
Redução da Taxa de Esforço em Portugal: O Que Pode Mudar no Crédito Habitação
O Banco de Portugal está a preparar novas medidas para tornar o acesso ao crédito habitação mais seguro e sustentável. Entre as principais alterações em discussão está a redução da taxa de esforço máxima permitida para aprovação de empréstimos bancários.
O que é a taxa de esforço?
A taxa de esforço representa a percentagem do rendimento mensal de uma família que é utilizada para pagar créditos, como:
- Crédito habitação;
- Crédito automóvel;
- Cartões de crédito;
- Créditos pessoais.
O cálculo é simples:
(Total das prestações mensais ÷ rendimento líquido mensal) × 100
Exemplo:
- Rendimentos líquidos: 2.000€
- Prestação da casa + outros créditos: 700€
Taxa de esforço = 35%
Qual é o limite atual?
Atualmente, o Banco de Portugal recomenda que a taxa de esforço não ultrapasse os 50% no crédito habitação. No entanto, a maioria dos bancos prefere aprovar financiamentos com taxas mais baixas, normalmente entre 30% e 35%, por questões de segurança financeira.
O que poderá mudar?
Segundo informações recentes, o Banco de Portugal pretende reduzir o limite máximo da taxa de esforço de 50% para 45% ou até 40%. A medida poderá entrar em vigor ainda em 2026.
O objetivo é:
- Reduzir o risco de incumprimento;
- Proteger as famílias contra futuras subidas das taxas de juro;
- Evitar situações de sobre-endividamento;
- Tornar o sistema financeiro mais estável.
Quem será mais afetado?
A mudança poderá impactar principalmente:
- Jovens compradores;
- Famílias com rendimentos mais apertados;
- Quem já possui outros créditos;
- Compradores que pretendem financiar valores mais elevados.
Na prática, algumas pessoas poderão deixar de conseguir o montante de financiamento que anteriormente seria aprovado.
Porque o Banco de Portugal quer avançar com esta medida?
Apesar de o mercado português apresentar atualmente níveis relativamente baixos de incumprimento, o Banco de Portugal demonstra preocupação com:
- O aumento dos preços das casas;
- A subida do endividamento das famílias;
- A possibilidade de novas subidas da Euribor;
- O crescimento da procura por crédito habitação.
Dados recentes mostram que mais de metade dos créditos habitação em Portugal têm uma taxa de esforço igual ou inferior a 20%, demonstrando uma tendência de maior prudência financeira.
Como reduzir a sua taxa de esforço?
Existem algumas formas de melhorar a sua capacidade de financiamento:
- Liquidar créditos pessoais ou cartões;
- Aumentar o valor de entrada inicial;
- Escolher um prazo de financiamento mais adequado;
- Renegociar créditos existentes;
- Evitar assumir novos encargos antes de pedir crédito habitação.
O que isto significa para quem quer comprar casa?
A eventual redução da taxa de esforço não significa o fim do acesso ao crédito, mas sim critérios mais rigorosos na análise bancária. Por isso, preparar antecipadamente a situação financeira será cada vez mais importante para conseguir aprovação de financiamento com melhores condições.
Para quem está a pensar comprar casa, este é o momento ideal para analisar rendimentos, encargos mensais e capacidade real de investimento.
